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diário de uma senhora enfadada

o cheiro a terra e outras formas de salvar o mundo

diário de uma senhora enfadada

o cheiro a terra e outras formas de salvar o mundo

Junho 23, 2022

Quando vou ao Alentejo, um dos meus passatempos é passar os olhos pelas ementas dos lugares onde se come.

Ando sempre à procura das memórias dos cozinhados de família (ah, as migas do meu pai) rematados por uma sesta na casa de paredes grossas, ao som dos grilos. Ou as aventura pelas tascas com os amigos, já adolescente, gozando aquelas férias infinitas que os gaiatos já não têm. 

Por vezes, descubro o que para mim são jóias e, para o meu companheiro de aventuras são partes de bicho ou planta que nunca adivinharia num prato. Para lhe fechar os olhos esbugalhados há sempre qualquer-coisa de porco preto, enquanto eu me deleito com insuspeitas iguarias, cozinhadas ao ritmo da boa conversa, pão, queijo e azeitonas.

Nesta última ida deliciei-me com uns pezinhos de coentrada e, no dia seguinte, com rins mexidos com miolos e ovos. Aqueles pratos que são um passaporte direto para os dias distantes e me carregam as baterias dos sentidos para enfrentar a saudade... 

 

 

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